Dr. Nilson de Mello e Oliveira
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CalendarioQuinta-Feira, 24 de Abril de 2014  
Glaucoma

uGlaucoma é uma neuropatia óptica caracterizada por escavação do disco do nervo óptico e perda progressiva do campo visual. Tem como principal fator agravante a pressão intra ocular aumentada. Os fatores de risco são idade avançada, antecedente familiar, diabetes, miopia, uso prolongado de esteróides e raça negra. É uma das principais causa de cegueira evitável em regiões desenvolvidas. Um a cada 200 americanos acima de 40 anos apresenta glaucoma crônico simples, e um em cada mil de ângulo estreito, sendo este, quatro vezes mais comum em mulheres.

O diagnóstico é feito com detalhado exame de fundo de olho, onde se apresenta escavação no disco do nervo óptico. O exame computadorizado do campo visual demonstra defeito característico e a pressão intra-ocular pode estar aumentada. O exame biomicroscópico da córnea, câmara anterior, iris e cristalino, também podem apresentar sinais que auxiliam o diagnóstico.

 É classificado basicamente em quatro tipos:

- ângulo aberto
- ângulo estreito
- congênito
- secundário

O ângulo da câmara anterior do olho é formado pela superfície posterior da córnea e a anterior da iris. O aspecto deste ângulo caracteriza os dois tipos principais de glaucoma. É neste ângulo que é drenado o humor aquoso, líquido que preenche as câmaras do globo ocular. Este líquido é formado nos processos ciliares na câmara posterior, atravessa a pupila, preenchendo a câmara anterior.

No glaucoma de ângulo aberto a circulação do humor aquoso ocorre normalmente, sem resistência, havendo uma desproporção entre a formação e o escoamento do aquoso, resultando em uma pressão intra-ocular acima do ideal para olho, sem chegar a provocar sintomas percebidos a curto prazo. Há longo prazo resulta em perda da visão por redução progressiva e irreversível do campo visual, podendo chegar à cegueira, dependendo do tempo de evolução.

No glaucoma de ângulo estreito, ocorre uma resistência à sua circulação o que pode desencadear o aumento da pressão intra-ocular.
Este aumento pode ocorrer de forma rápida, caracterizando uma crise de glaucoma agudo. Neste caso, pode estar presente dor forte, com grande risco de prejuízo da visão.

O glaucoma congênito ocorre devido alterações da formação do ângulo da câmara anterior, devido a persistência de tecido embrionário. Os principais sinais são olhos de tamanho aumentados, sem brilho, apresentando sintomas de fotofobia e irritabilidade do recém nascido.

Os glaucomas secundários são de diversos tipos, dependendo do motivo que levou a seu desenvolvimento. Podem se desenvolver por doenças vasculares, retinopatia diabética descontrolada, após trauma, inflamações, tumores, cirurgias, etc.

O tratamento do glaucoma de ângulo aberto, que é uma situação crônica, é baseado no controle da pressão intra-ocular, inicialmente com uso de medicação.

Quando a pressão intra ocular está elevada o tratamento de primeira escolha é o uso de colírios que agem de diferentes maneiras. Podem diminuir a formação do humor aquoso, ou facilitar seu escoamento. Atualmente existem muitas opções de drogas para estas finalidades, divididos basicamente em 5 grupos farmacológicos. Os mais utilizados são os betabloqueadores, alpha agonistas, inibidores da anidrase carbônica, análogos das prostaglandinas e mióticos. Antigamente não se dispunha de tantas opções, e era mais comum a indicação cirúrgica.

O glaucoma de ângulo estreito é o único onde se pode prevenir a lesão. Para isso é indicado tratamento preventivo, mesmo que o paciente não esteja apresentando sinais ou sintomas. Este tratamento visa comunicar a câmara posterior com a anterior, vencendo qualquer resistência pupilar, através da realização de uma iridotomia. Atualmente este procedimento é feito com LASER  Nd YAG , indolor, rápido e seguro. Antes do advento do LASER, era necessária cirurgia para se cumprir o mesmo objetivo, com respectivos riscos.

Quando o tratamento medicamentoso não é efetivo ou não é realizado corretamente, a cirurgia é indicada como última opção. Assim como qualquer dos tratamento já mencionados, a cirurgia não devolve a visão perdida. Seu objetivo é, como no tratamento clínico, controlar a pressão intra ocular, diminuindo o risco da progressão desta doença.

A cirurgia para glaucoma mais realizada é a trabeculectomia. É uma cirurgia fistulizante, onde é aberta uma passagem para o humor aquoso do interior da câmara anterior do globo ocular até o espaço sub-conjuntival, onde é formada uma ampola filtrante, preenchida pelo aquoso, aliviando a pressão intra ocular.

Nos casos de glaucomas de mau prognóstico, pode ser usado um implante de drenagem do aquoso. É um dispositivo de material inerte, que controla melhor a saída do aquoso. Seu objetivo principal é evitar o fechamento da fistula que pode ocorrer em olhos cronicamente inflamados, característica comum entre os glaucomas secundários.

O acompanhamento ao longo do tempo é fundamental para não haver progressão da lesão. A tonometria, campimetria e exame do fundo de olho devem ser repetidos a cada 6 meses após estabelecido o controle. Para acompanhamento da escavação do disco do nervo óptico a maneira ideal é a retinografia.

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